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Reuniões públicas semestre 2 de 2019

O calendário de reuniões públicas do segundo semestre de 2019 já está pronto e pode ser encontrado aqui.

Este semestre será dedicado a continuação dos debates de textos sobre afrorreligiosidade e discussões dos temas que serão apresentados na Conferência ALARI.

O Calundu realiza reuniões públicas quinzenais, sempre com debates de bibliografia sobre as religiões afro-brasileiras que variam entre textos revisionistas e mais atuais. Algumas temáticas que transcendem a afrorreligiosa, mas que são centrais para a sua compreensão, como gênero, raça e pensamento social, são também debatidas em alguns encontros, sempre com suporte bibliográfico.

O calendário de reuniões públicas com a indicação dos textos que serão debatidos segue abaixo:

Data Atividade Texto(s) para leitura
30/08/2019 Forças ancestrais… Pajelança e Encantaria Amazônica (Raimundo Maués e Gisela Villacorta).
13/09/2019 Angoleiro e performático Joãozinho da Goméia: o lúdico e o sagrado na exaltação ao candomblé. Caminhos da alma Caminhos da alma Caminhos da alma: memória afro-brasileira. (Raul Lody; Vagner Gonçalves da Silva).
27/09/2019 Semana Universitária  ____________________
11/10/2019 Macumbeiros cientistas! Fogo no Mato: A ciência encantada das macumbas (Luiz Antonio Simas e Luiz Rufino).
25/10/2019 Discussões dos temas Discussões tradição afro e casos de racismo
08/11/2019 Discussões dos temas Discussões de racismo religioso e colonialidade
22/11/2019 Discussão texto clássico. Texto a ser escolhido.

Os encontros serão realizados sempre às sextas-feiras, 19h, no ICS/UnB, andar térreo. Em caso de dúvidas, pergunte pela sala na recepção do instituto.

Ajude o Calundu a ir pra Harvard!

O grupo Calundu recentemente teve um painel aprovado no Primeiro Encontro Continental de Estudos Afro-Latino-Americanos. Trata-se de uma grande reunião de pesquisadoras/es, que será realizada na prestigiada Universidade de Harvard, nos Estados Unidos da América. O evento contou com uma seleção rigorosa de tópicos, trabalhos e pessoas. Certamente por nosso trabalho, pela força de nossa luta e, sempre, com a bênção de Nzazi/Xangô, fomos selecionados.

Nosso painel, intitulado “Desafios contemporâneos para o exercício de fé do Povo de Santo no Brasil” tratará de tradição afrorreligiosa e racismo religioso. No painel a ser apresentado no evento, resgatamos a história de adaptação e recriação de vivências afrorreligiosas por famílias de santo ao desde a chegada das e dos primeiros africanos escravizados a este país, com consequente formação das religiões afro-brasileiras, e, a partir disso, propomos um debate sobre os principais desafios contemporâneos enfrentados pelos terreiros e no Brasil, para que seja garantida a liberdade de crença e todas as garantias subsequentes.

É de fundamental importância, especialmente em eventos de prestígio como este, discutir internacionalmente temas negros, marginalizados no Brasil e ainda mais vulneráveis no atual cenário de perda de direitos e desmonte de políticas sociais. Temas como o nosso vem continuamente perdendo espaço neste país, pelo que a internacionalização do debate se apresenta como uma alternativa importante e necessária para a sequência de nossas lutas por justiça.

Serão 4 pessoas do grupo Calundu que apresentarão os trabalhos no painel do evento.

Precisamos de dinheiro para passagens, transporte, seguro de saúde estadia e alimentação, durante 5 dias de viagem, em um local em que o preço de tudo deve ser multiplicado na razão de 1 dólar para 4 reais. Os custos devem ser pagos por nós mesmas/os e, por isso, estamos pedindo doações por meio de uma vakinha online , doações diretas (conta no site da vakinha) e/ou ajuda para divulgar este pedido de doações e o nosso trabalho.

Fizemos um pequeno vídeo para a divulgação do nosso trabalho, compartilhe!

Ajude o Calundu a ir pra Harvard! Ajude-nos a levar nossa mensagem e nossa luta por justiça ainda mais longe!

 

Convite à submissão de textos – Revista Calundu v.3, n.1, jan-jun 2019

A Revista Calundu apresenta sua chamada para submissões ao próximo dossiê temático (volume 3, número 1, jan-jun 2019), a ser publicado no meio do ano de 2019. O tema será o seguinte:

(Re)Existência: relatos sobre existência e resistência afrorreligiosa.

Estamos particularmente interessados em textos que apresentem relatos de vivências tradicionais afrorreligiosas mesmo em meio à colonial modernidada socio-econômico-estatal englobante e/ou que problematizem a temática da resistência. Não publicaremos textos que informem estratégias adotadas por famílias e comunidades de terreiro para se manterem vivas, pois entendemos que essas não devem ser publicadas no cenário de amplo racismo religioso que impera na América Latina.

A data final para a submissão de textos é o dia 02/04/2019.

Acesse a revista clicando aqui.

Reuniões públicas de 2018

O calendário de reuniões públicas do segundo semestre de 2018 já está pronto e pode ser encontrado aqui.

Este semestre será dedicado ao debate de textos que explorem a pluralidade afrorreligiosa no Brasil, em sintonia, assim, com o próximo número da Revista Calundu, que será publicado em dezembro.

II Encontros Afrorreligiosos – 2017

O grupo Calundu convida a comunidade em geral para a Roda de Conversa: Alimentação, sacralização e cura nas religiões afro-brasileiras. Onde serão discutidas as suas práticas tradicionais, trazendo o debate que gira em torno de outras formas de concepção da ciência e como a questão do cuidar e da saúde está presente na dinâmica das comunidades afrorreligiosas expressando também formas de resistência.

Nesta roda debateremos especificamente as práticas do Omolocô, da Umbanda, Tambor de Mina Paraense, Candomblé e Jurema.

Estarão presentes facilitando o debate:

Pai Marcos de Xangô – Representante do Omolocô
Pai Juca – Representante de Umbanda
Mestre Renan Catimbó – Representante da Jurema
Beatriz Moura – Grupo Calundu
Representante do Candomblé (a confirmar).

O Evento será realizado no dia 25/10/2017 às 14h30 no auditório do Instituto de Ciências Sociais na Universidade de Brasília, Campus Darcy Ribeiro, e é aberto à toda comunidade.

O evento integra a Semana Universitária de 2017.

As inscrições podem ser feitas aqui.
Título ação: Semana universitária – Segundo (ou II) Encontros Afrorreligiosos

Curta e compartilhe o evento no Facebook do Grupo Calundu.

Contamos com a presença de todas e todos!

Chamada pública para a submissão de artigos aberta para a Revista Calundu: V.2, N.1, jan-jun 2018.

ATENÇÃO: Por decisão da comissão editorial, a data limite para submissão de textos para o primeiro número do segundo volume (v.2 n.1) da Revista Calundu foi ampliada para 1 de março de 2018

A benção a quem é de benção!

É com grande satisfação que Grupo de Estudos Calundu convida todo o povo de santo e/ou pesquisadoras/es de afrorreligiosidade a colaborar com o terceiro número da Revista Calundu, previsto para o primeiro semestre de 2018. Estamos particularmente interessados em textos que abordem Discriminação, intolerância e racismo religioso, tema que será abordado nesse volume.

A Revista Calundu é um periódico interdisciplinar e com características de extensão, isso é, aceita também textos livres, entrevistas e ensaios fotográficos produzidos por pessoas de fora do ambiente acadêmico desde que estejam dentro da nossa temática de atuação, as religiões afro-brasileiras e os modos de vida do povo de santo.

Se você é estudiosa/o de qualquer área do saber e tem com o que contribuir sobre o tema de nossa revista, ou se você é de fora do circuito acadêmico, mas também tem experiência com as religiões afro-brasileiras e deseja colaborar com a construção desse volume, seja bem vinda/o e submeta seu artigo, resenha, texto livre, entrevista e/ou ensaio fotográfico à nossa equipe editorial.

Para este volume, aceitaremos submissões até o dia 31.01.2018 01.03.2018. Os textos selecionados por pareceristas especializadas/os serão comunicados às/aos autoras/es com as devidas sugestões de revisão, caso existam.

Mais informações sobre as regras para publicações, para a avaliação e seleção dos textos podem ser encontradas aqui.

Axé, Nguzo

Comissão Editorial

 

Nota sobre abate religioso

O abate religioso é um tema que ocupa a cena jurídica e política contemporânea. Nessa discussão, coloca-se em xeque a constitucionalidade da legislação estadual que regulamenta o abate religioso realizado pelas religiões afro-brasileiras no estado do Rio Grande do Sul.

Tal dilema chega ao Supremo Tribunal Federal e enseja inúmeros enfrentamentos, como a questão ambiental. Associam-se as práticas ritualísticas das religiões afro-brasileiras a práticas de crueldade e/ou violência contra animais. Há um movimento de grupos que se opõem ao abate religioso no sentido imputá-lo como crime ambiental.

Contudo, tais grupos não mostram conhecimento acerca de como realmente funcionam os cultos, rituais e práticas tradicionais afrorreligiosas, que têm por crença que os animais são sagrados e devem ser respeitados. Mais ainda, animais são abatidos para serem consumidos como alimento, opção dietária que não é exclusiva da maioria dos afrorreligiosos, mas é comum à maior parte da população brasileira. Com efeito, o Brasil se orgulha de ser – junto à Argentina e o Uruguai – o país do churrasco e não do vegetarianismo. À seu modo, rezando sobre seu alimento, afrorreligiosos preparam a carne que comem. Neste sentido, resgatamos o ensinamento de mãe Stella de Oxossi, uma das maiores lideranças do Candomblé em nível nacional: no dia em que a sociedade brasileira for vegetariana, o Candomblé será também vegetariano.

Além disso, analisando a questão de forma jurídica, a Lei de Crimes Ambientais já  define as regras relacionadas com a proteção dos animais e que também regulamentam o abate religioso. Proíbe-se o abate, caça e utilização de animais silvestres (nativos, exóticos, espécie rara ou em extinção) sem licença ou autorização do órgão competente. Pune-se o abuso, ferimento ou mutilação de animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. Condena-se a venda, aquisição, guarda ou manutenção em cativeiro de espécime silvestre proveniente de criadouro clandestino e sem autorização legal. E reprime-se o uso de método cruel para o abate ou captura de animais.

Desse modo, o que se observa é um tratamento rigoroso para a questão quando se tratam de espécies silvestres, cabendo ao IBAMA a regulamentação das práticas. No caso de abate, a lei penal exige autorização prévia somente na hipótese de animal silvestre, nativo ou exótico, que não é consumido em terreiros. Assim, o abate religioso constitui uma prática autorizada e protegida pelas leis brasileiras.

Além disso, há varias disposições normativas que reconhecem o abate religioso como abate humanitário, ou seja, em que o animal não sofre maus tratos – realidade contrária à comumente observada na maior parte das granjas e abatedouros comerciais brasileiros. Tais normas recomendam a proteção da prática tradicional afrorreligiosa, principalmente, por resguardar o conteúdo fundamental da liberdade de crença, direito previsto constitucionalmente no art. 5º, inciso VI.

Segue aqui uma lista de dispositivos legais que já tratam sobre o assunto do abate de animais, inclusive religioso.

Diante dessa legislação e de seu contexto normativo e jurisprudencial, observamos que a questão do abate em termos legais não afronta o ordenamento jurídico brasileiro. Questionamos o porquê de o abate religioso ter virado pauta de julgamento. Quais são os verdadeiros motivos que preocupam as instituições? É de fato a questão constitucional?

Questionamentos sobre modos de vida tradicionais não são proibidos e possuem lugar em qualquer debate democrático. Pré-julgamentos, por outro lado, não constituem ação democrática, mas postura colonialista, que neste caso deve ser categorizada como prática de racismo religioso.

O Calundu – Grupo de Estudos sobre Religiões Afro-Brasileiras posiciona-se publicamente em defesa do direito ao abate religioso praticado em comunidades de terreiro e outros Calundus. Entendemos, ademais, como urgente a necessidade de difusão da informação, correta, democrática, autoproduzida e mesmo verificada pelas Ciências Sociais brasileiras – particularmente a Antropologia – sobre o tratamento recebido por animais dentro de terreiros, intento buscado com esta nota. Verificar-se-á, com isso, que o abate e consequente divisão de alimentos afrorreligiosa é um modelo a ser copiado e, de forma alguma, proibido.

Nota sobre a greve geral de 28 de abril

Dia 28 de abril de 2017 é dia de luta para brasileiros. É dia de protestar contra o corte de direitos. Contra a reforma da previdência e contra a flexibilização da CLT. É dia de mostrar às elites dominantes/governantes que o país não é só delas.

O Grupo Calundu apoia a greve geral e, como coletivo, adere ao movimento. Entendemos que a luta é válida e que mostra que ideias como “consciência de classe”, “colonialidade” e “resistência” não são conceitos sociológicos abstratos. Estão na rua com a classe trabalhadora. São a práxis de grupos sociais que há séculos tanto lutam e tão pouco têm.

Neste momento de resistência, unimo-nos às mães, pais, irmãs e irmãos, da luta afrorreligiosa. Resistimos por nossos direitos de levarmos vidas saudáveis e longevas. Sabemos que, no Brasil, lutar para não perder direitos – o que parece ser o mínimo – não significa que a vida esteja assim tão boa. Entendemos, portanto, como todas e todos as/os calunduzeiras/os de todos os tempos, que este é mais um capítulo de nossa mesma guerra.

Nesta sexta-feira reverenciamos e pedimos passagem a Exu. Saudamos a Oxalá, o santo da paz e do dia. Chamamos-lhe para que nos abençoe e se levante conosco, afinal, quando necessário, “até Oxalá vai a guerra”. E, sempre buscando a justiça de Xangô, posicionamo-nos politicamente e nos somamos à luta de tantos brasileiros.

Nesse mesmo espírito de reverência também nos solidarizamos à luta dos indígenas que vem acontecendo desde o dia 24 de abril no Acampamento Terra Livre na Esplanada dos Ministérios pela garantia dos direitos originários dos povos indígenas. Como afrorreligiosos que somos, reverenciamos os Ancestrais e Donos da Terra e com a benção de Oxóssi, Ossãe e dos Caboclos nos unimos às irmãs e aos irmãos indígenas em mais um árduo caminho de resistência.