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Chamada para bolsistas de extensão – edital PIBEX 2021 da Universidade de Brasília

Edit: este texto foi originalmente publicado em 02/04/2021. Foi atualizado em 05/04/2021, após reunião de coordenadores de projetos de extensão, realizada com o Departamento de Extensão da Universidade de Brasília, no mesmo dia. O prazo para envio de currículos foi ampliado do dia 09/04/2021, conforme originalmente publicado, até o dia 12/04/2021.

O Calundu – Grupo de Estudos sobre Religiões Afro-Brasileiras, no âmbito do edital PIBEX 2021, torna pública a chamada para a contratação de 2 (duas/dois) bolsistas de extensão, para atuarem no projeto “Diálogos Comunitários Calunduzeiros”, atualmente, em seu quinto ano de vigência, cuja duração é de 01/03/2021 até 31/12/2021, sendo que a bolsa terá a duração de 01/05/2021 a 31/10/2021 e sua coordenação será realizada pela professora Dra. Tânia Mara Campos de Almeida (taniamaraca@unb.br) e o Dr. Guilherme Dantas Nogueira (guidantasnog@gmail.com).

Para ser selecionada/o e contratada/o, a/o bolsista deve ser estudante de graduação da Universidade de Brasília (UnB) e atender aos seguintes critérios:

a) Não possuir vínculo familiar com a/o coordenadores do Projeto;
b) Ter disponibilidade de 15 (quinze) horas semanais para as atividades de extensão e pesquisa do Projeto, incluídos planejamento, estudo, avaliação e atividades em geral;
c) Não receber bolsa PIBEX ou quaisquer outras remunerações em programas institucionais durante a vigência dessa bolsa, com exceção da bolsa de assistência estudantil concedida pelo DAC/DDS;
d) Não possuir pendências acadêmicas ou administrativas relacionadas aos compromissos assumidos anteriormente em eventos, projetos ou programas;
e) Participar ou ter participado anteriormente de, pelo menos, uma atividade de extensão (evento, projeto, programa ou semana universitária) ou ter realizado estágio na UnB;
f) Participar da programação integral do Encontro de Estudantes Extensionistas, no âmbito da Semana Universitária;
g) Apresentar o Termo de Compromisso de Estudante Extensionista.

Para participar da seleção, a/o estudante deverá enviar, até as 23:59h do dia 12/04/2021, e-mail com breve apresentação e currículo (lattes ou vitae) para o endereço eletrônico do projeto: calunduzeiros@gmail.com. Deve-se indicar no assunto da mensagem o seguinte: “Seleção PIBEX 2021 – Nome completo da/o estudante”. A seleção será feita por análise de currículo e entrevista, a ser agendada individualmente e por e-mail. Eventuais dúvidas devem ser dirimidas também por meio do e-mail, calunduzeiros@gmail.com, por onde também o/a candidato/a receberá maiores informações a respeito dos procedimentos de seleção.

Mais informações sobre o projeto Diálogos Comunitários Calunduzeiros podem ser acessadas aqui.

Chamada aberta – Revista Calundu, v.5, n.1

O grupo Calundu informa que a primeira edição de 2021 apresentará um dossiê comemorativo com textos dos integrantes do próprio grupo de estudos. Também lançaremos uma seção de fluxo contínuo com textos que não precisam estar ligados ao dossiê temático.

O envio de textos para essa referida seção deverá ser feito normalmente, por meio do sistema da revista no site “periodicos.unb” (entre aqui), clicando no botão “Enviar submissão”.

Convidamos toda comunidade a escrever tanto textos livres quanto artigos acadêmicos que serão aceitos até o dia 10 de abril para serem apreciados nesta edição.

Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

A Lei nº11.635, de 27 de dezembro de 2007, institui o dia 21 de janeiro como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A data rememora o dia do falecimento da mãe de santo Mãe Gilda, do terreiro Axé Abassá de Ogum (BA), vítima de intolerância por ser praticante de religião de matriz africana. A mãe de santo foi acusada de charlatanismo, teve sua casa atacada e pessoas da comunidade foram agredidas. Ela faleceu no dia 21 de janeiro de 2000, vítima de infarto, decorrente dessa agressão sofrida.

Em razão dessa data, o grupo Calundu foi convidado pela TV Justiça para explicar um pouco sobre esse tema tão crucial à democracia brasileira. É importante apontar que, infelizmente, há pronunciado aumento das denúncias de intolerância religiosa no Disque 100 nos últimos anos. De apenas 15 denúncias em 2011 – primeiro ano do submódulo específico –, chegamos a 759 em 2016. Esse aumento da hostilidade à liberdade religiosa, particularmente danoso às minorias, está também associado a um manifesto crescimento dos atentados à laicidade estatal. Entre 2011 e 2017, o Disque 100 registrou 2356 denúncias de discriminação religiosa, sendo que 508 casos se referem a pessoas que se declaram pertencentes às religiões de matriz africana, ou seja, em média 20% do total de denúncias registradas no período. E, ainda, mais recentemente, de acordo com a pesquisa do Datafolha divulgada em janeiro de 2020, dados do Disque 100, divulgados pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, indicam que 59% das denúncias de discriminação religiosa recebidas foram de umbandistas, candomblecistas e outras religiões afro-brasileiras. Há, portanto, um dado público e bem concreto que mostra que a violência advinda da intolerância religiosa é maior quando se trata das religiões afro-brasileiras. E cabe dizer que, ainda, esses são dados subnotificados. Há muito que acontece que não se diz, que não se informa, não se denuncia.

Observando esses dados, é também importante que se diferencie intolerância religiosa e racismo religioso, que é o que de fato ocorre com as maiores vítimas de perseguição religiosa no Brasil: as religiões afro-brasileiras. Isso se deve ao fato do racismo estrutural existente na sociedade brasileira que alcança, obviamente, o aspecto religioso, pois quando se analisa a intolerância sofrida por grupos religiosos devido à cor da pele da vítima ou a sua dimensão histórica e cultural, verifica-se que é o elemento racial que define as discriminações e violências. Há, portanto, uma estratégia racista em demonizar as religiões de matrizes africanas, fazendo com que elas apareçam como o grande inimigo a ser combatido, não apenas com o proselitismo nas palavras, mas também com ataques aos templos e, mesmo, à integridade física e à vida dos praticantes destas religiões. Assim, isso que visualizamos sob a forma da intolerância religiosa nada mais é que uma faceta do pensamento e prática que podemos chamar de racismo religioso. A argumentação é de que esse preconceito estaria ligado à formação colonial, à divisão e valoração racial negativa, influenciando na compreensão desta religião.

Nesse sentido foi a entrevista concedida pelo pesquisador e sociólogo Guilherme Nogueira à TV Justiça. Para saber mais, acesse o vídeo abaixo:

V Encontros Afrorreligiosos

Na Semana Universitária de 2020, da Universidade de Brasília (UnB), o Calundu – Grupo de Estudos sobre Religiões Afro-Brasileiras apresentou, em 22/09/2020, a live “os desafios do exercício da liberdade religiosa para os afrorreligiosos”. 

O evento foi originalmente disponibilizado ao vivo pelo canal de YouTube do Departamento de Extensão da UnB e o vídeo também se encontra disponível naquele canal (ver aqui). Participaram do evento as pesquisadoras Maria Helena – Oxumlamina e Andréa Guimarães – Omifascina (do Grupo Calundu) e o pesquisador André Gomes – Ogunkeyê. O debate foi moderado pelo pesquisador Guilherme Nogueira – Tata Mub’nzazi (do Grupo Calundu). O evento contou, ademais, com a participação da profa. Tânia Mara Almeida, coordenadora institucional do Grupo Calundu.

Abaixo, vídeo da atividade:

Reuniões públicas calunduzeiras – segundo semestre de 2020

Já está disponível o calendário de reuniões públicas do segundo semestre de 2020. Para acessar, clique aqui.

Este semestre segue a mesma linha do semestre passado e será dedicado a debates de textos antigos sobre afrorreligiosidade brasileira, discussão de textos atuais que dialogam com os antigos e discussões de textos publicados na Revista Calundu. Não obstante, será mais curto em reuniões, em função das dificuldades impostas pela presente pandemia do COVID-19. Também por isso, todas as reuniões serão realizadas em formato de videoconferência, com links de acesso divulgados pelo grupo, por WhatsApp, momentos antes das reuniões (em caso de interesse, mandar e-mail para calunduzeiros@gmail.com).

Nota contra o racismo e a violência contra o processo iniciático das religiões afro-brasileiras

André Gomes Ogunkeye[1]

Calundu – Grupo de Estudos sobre Religiões Afro-Brasileiras

 

Alfredo Bosi, em seu já clássico estudo sobre o pensamento colonial presente em A dialética da colonização (2001), analisa o processo de dominação do território brasileiro pelos portugueses a partir de duas perspectivas aqui bastante simplificadas:  a) a colônia é, para o colonizador, um espaço de exploração econômica e, portanto, de enriquecimento; b) a colônia é um espaço de transposição de valores simbólicos/ancestrais/culturais que devem ser adaptados ao novo ambiente. É a segunda perspectiva – cultural/simbólica – que nos interessa e a ela voltaremos em nosso texto-denúncia. Antes é preciso situar a denúncia.

Como é do conhecimento da grande maioria das pessoas, as religiões de matriz africana, especialmente aquelas que representam uma atualização do culto às divindades africanas (nkinsi, orixá ou vodun) em solo brasileiro, têm como marca o processo iniciático e, em algumas delas, esse processo é caracterizado pela raspagem de cabelo. Ao aceitar passar por este processo, a/o noviça/o vai apresentar marcas essenciais da religiosidade, tais como o cabelo raspado, os fios de conta, o uso ou não-uso de determinadas cores. Todo esse processo, realizado nos terreiros das religiões afro-brasileiras, levam, no caso do Candomblé, às cerimônias públicas de saída da Muzenza (nação Angola), Huyin (nação Jêje) ou do Orunkò Yawó (nação Keto), e que consistem na apresentação da/o nova/o componente da família de santo ao público. É preciso destacar que o processo iniciático pode ser acessado por qualquer pessoa que deseje fazer parte daquela comunidade – desde que aceita pela família de santo – e, desse modo, as crianças, desde que assessoradas por suas/seus responsáveis, podem ser iniciadas nessa religião.

Toda essa introdução é para relatar mais uma violência contra um terreiro: em 23 de julho de 2020, em Araçatuba, cidade situada no Noroeste do Estado de São Paulo, uma menina de doze anos – o seu nome por razões óbvias vem sendo preservado – foi retirada pela polícia do terreiro em que estava recolhida para seu processo iniciático, sob a acusação de maus tratos e abuso sexual, e levada junto com sua mãe para depor na Delegacia das Mulheres daquela cidade. Na ocasião, depois do depoimento de ambas e dos exames de corpo de delito realizados na menina, averiguou-se, segundo a imprensa, que ela não tinha quaisquer marcas de violência ou abuso e permanecia tranquila, afirmando que estava recolhida com seu consentimento e com a anuência de seus pais.

Em 28 de julho, um conselheiro tutelar voltou a apresentar denúncia contra mãe da menina, Kate Belintane, afirmando que a raspagem do cabelo podia ser caracterizada como mau-trato. Sem ouvir os pais, o Promotor da Infância e da Juventude entrou com ação contra os responsáveis e a Juíza da Vara da Infância e da Juventude, em caráter liminar, deu a guarda da menina para avó materna que, segundo consta, é evangélica e iniciou o processo.

É interessante pensarmos na inferência realizada pelo promotor de justiça, divulgada pela imprensa televisiva na figura de uma âncora, que, embora a Constituição Federal assegure o direito de crença para todos os cidadãos, incluindo, as crianças e o Ministério Público seja guardião desse direito, “não se pode permitir que, sob o pretexto de liberdade religiosa, se pratique crimes”. Ou seja, é fácil depreender de suas palavras que as religiões de matriz africana, para ele, atuam de maneira criminosa, abusiva e, em última análise, não deveriam ter direitos de cidadania.

Apesar dos avanços que conseguimos ao longo de séculos, bem como das recentes vitórias que o povo de santo conseguiu, a exemplo do direito de resposta à propaganda de ódio da Igreja Universal do Reino de Deus e de seu braço midiático, a TV Record, além da legitimidade jurídica do abate religioso votada no STF em 2019, há, ainda, um longo caminho para a plena cidadania daqueles que abraçam os cultos afro-brasileiros. Isso porque, a despeito de algumas decisões que se baseiam na ideia de laicidade do Estado, o aparato jurídico brasileiro é marcado por uma herança colonial, uma ferida aberta que vê na alteridade das religiões de matriz africana – em sua herança negra – a dimensão do indesejável, do primitivo, do atrasado. Daquilo que não deveria figurar no projeto eurocentrado de nação que ainda é mobilizado por inúmeros atores das mais diversas instituições deste país. Em outras palavras, para estas autoridades, um país civilizado não deveria ter estas idiossincrasias culturais/“folclóricas”.

É esse aparato civilizacional eurocentrado que nega ao povo de santo o seu direito de autodeterminação e passa, como vimos no caso em tela,  por cima da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente, para tirar uma adolescente candomblecista de sua mãe, sob qualquer alegação que convenha, única e exclusivamente pelo fato de ela ser candomblecista. É esse mesmo aparato jurídico que permite que advogados, magistrados, procuradores, promotores de justiça ideologicamente alinhados com um projeto de poder racista, julguem a partir desse alinhamento casos em que figurem o interesse de pessoas ligadas às religiões de matriz africana.

No entanto, isso não é novo para nós. É triste e, às vezes desanimador, mas não é novo. Toda a estrutura jurídica brasileira é constituída para ler nossos direitos a partir de uma noção civilizatória que não contempla nossas complexidades. Se na República Velha era a polícia o nosso maior problema, hoje ele está configurado nos três poderes estatais e nas forças paraestatais das milícias, que sustentam um ideal oitocentista de nação e não nos permitem existir plenamente.

Retomamos a noção de colônia como lugar de transposição dos bens simbólicos/culturais que devem ser impostos ao outro, apagando a sua identidade. Bosi afirma que o desejo do colonizador é constituir uma espécie de espelho da metrópole e narra um acontecimento presente no Compêndio narrativo do peregrino da América (1718), de Nuno Marques Pereira (p. 60 -63). Narra o peregrino, segundo Bosi, uma visita que faz a um generoso senhor de engenho que tolerava os batuques, chamados de calundus. Depois de pernoitar na casa do senhor, o padre pergunta ao dono da casa o que era o barulho de batuques da noite anterior e, ao saber que se tratava de expressão religiosa negra, recrimina o dono da casa e condena quaisquer expressões que não sejam católicas naquela terra.

Embora, distantes 300 anos no tempo, a narrativa de Nuno Pereira e o caso de Araçatuba guardam a triste semelhança de representarem formas de demonização e marginalização das religiões de matriz africana. O que muda são apenas os aparatos discursivos: em 1718 nossos ancestrais eram demonizados em nome Deus; em 2020, é em nome da lei que um terreiro é visto como lugar de crime e de abuso.

 

REFERÊNCIAS

BOSI, A. Dialética da colonização. 4.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

Mãe perde guarda da filha adolescente após denúncia de maus-tratos em ritual de candomblé. TV TEM. São José do Rio Preto. Veiculado em 08/08/20 https://globoplay.globo.com/v/8761961/programa/?fbclid=IwAR0ki6Dt899RpMkhlgXRYy6hkAR023xPkLexGDKViqzpdqmGZYiroinD9h4

 

[1] Doutor em Teoria Literária. Realiza estágio de pós-doutoramento no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Interculturalidade, da Universidade Estadual da Paraíba (PPGLI-UEPB). Membro do Centro Cultural Oré (CECORÈ) – Egbé Ilê Ifá.

Chamada aberta – Revista Calundu, v.4, n.2

A Revista Calundu, retomando um dos seus interesses centrais e o seu compromisso com a promoção de outras “formas-pensamento”, convida a toda a comunidade afrorreligiosa e acadêmica a publicar em seu Volume 4, Número 2, “Gira Epistemológica: ciências das macumbas e outras encantarias”.

Nessa chamada a Revista Calundu espera textos sobre os complexos procedimentos epistemológicos vivenciados nos calundus do presente (encantarias, candomblés, macumbas, umbandas, etc.) e a produção de outro “entendimento-mundo”, contracolonial, antirracista, produzido no encruzo, na encruzilhada, e fora dos limites monorracionais do pensamento ocidental.

Submissões para a Revista até dia 04 de Outubro de 2020.

Para submeter, acesse a Revista, clicando aqui, pelo sistema periodicos.unb e entre em “enviar submissão”. Para acessar desde já as normas de submissão, clique aqui.

Publicação do dossiê temático: dezembro de 2020.

Para ver a notícia desta chamada, clique aqui.

Tradição Calunduzeira: um conceito diaspórico

Em 14/07/2020, o nosso integrante Guilherme Nogueira participou da live “Tradição Calunduzeira: um conceito diaspórico”. A apresentação foi organizada pelo coletivo Sociolives, do Departamento de Sociologia da UnB, com o apoio do Grupo Calundu. Durante a videoconferência, Guilherme apresentou o conceito de “tradição calunduzeira” e debateu tópicos como a centralidade das mães de santo nas religiões afro-brasileiras, calundus coloniais e hodiernos e racismo religioso. A íntegra do vídeo está disponível no YouTube e pode ser vista logo abaixo.

 

Reafirmação do posicionamento calunduzeiro face à tragédia política do presente

O Brasil vem sendo palco de acontecimentos políticos trágicos durante essa pandemia de COVID-19, que, a bem da verdade, não destoam de um triste histórico de malfazejos e maldades de seu governo federal (e de vários governos estaduais), que os protagoniza e nos causa profunda indignação. Dentre todos os acontecimentos, podemos listar, sem buscar ser exaustivas/os, brigas surreais entre o presidente e seus ministros (aqui grafados com iniciais minúsculas, pois não estão à altura de seus cargos), negação de informações testadas, validadas pela ciência e mundialmente reiteradas, protestos contra a democracia – que não é perfeita e abarca numerosas exclusões, mas é o modelo de governo que a sociedade brasileira, à custa de muita luta e sangue, conseguiu implantar –, etc.

Mais recentemente, destacam-se dentre os tristes acontecimentos políticos, particularmente no que tange à luta antirracista e contra o racismo religioso, as grosseiras ofensas proferidas pelo senhor presidente da Fundação Cultural Palmares – a quem nos recusamos nominar – contra o Movimento Negro e a religiosidade afro-brasileira, representada pela nossa querida Mãe Baiana.

Em face desse contexto, o Calundu – Grupo de Estudos sobre Religiões Afro-Brasileiras, vem a público reiterar seu posicionamento contra toda forma de violência e desrespeito a Direitos Humanos. Particularmente, contra todas as violências perpetradas pelo governo federal hodierno e pelo Estado brasileiro historicamente.

Notamos que reiterar esse posicionamento não faz deste texto apenas uma nota de repúdio. Embora também o seja, muitas dessas já foram escritas e subscrevemos a muitas. Trata-se, mais adiante, de uma tomada (reiterada) de lado concreta do grupo, coerente com a sua história, e mais uma vez tornada pública.

Os integrantes do Calundu já militam de formas variadas e ativas contra essas violências aqui pautadas e outras, seja por meio da intelectualidade ativista ou mesmo da ocupação inteligente de ruas e outros espaços públicos, quando o momento pede. Neste momento, não obstante, optamos por permanecer reclusos, seguindo as recomendações das organizações de saúde especializadas.

Essa reclusão – que envolve um oportuno e contínuo apoio a negócios contra hegemônicos e movimentos de luta virtual –, que recheamos com reuniões virtuais, com o trabalho em nossa revista acadêmica, etc., é a principal estratégia de luta contra as barbaridades do momento, assim como a manutenção de nossas rezas, junto a nossa ancestralidade sagrada, pela recuperação da humanidade e a regeneração do planeta. Lembramos, em adendo a isso, que é a Mãe Terra que nesse momento comanda a sala e se faz ser ouvida. Saudamos a grande Mãe da Criação. Que ela seja ouvida.

Proteção e saúde a todas e todos.

Cronograma de reuniões de estudo do Grupo Calundu – 1/2020

O calendário das reuniões de estudo do primeiro semestre de 2020 já está pronto e pode ser encontrado aqui.

Este semestre será dedicado a debates de textos antigos sobre afrorreligiosidade e discussões de textos publicados na Revista Calundu.

O Calundu realiza reuniões públicas quinzenais, sempre com debates de bibliografia sobre as religiões afro-brasileiras que variam entre textos revisionistas e mais atuais. Algumas temáticas que transcendem a afrorreligiosa, mas que são centrais para a sua compreensão, como gênero, raça e pensamento social, são também debatidas em alguns encontros, sempre com suporte bibliográfico.

As reuniões são públicas e sem restrição de participação. Este semestre os encontros serão realizados quinzenalmente às terças-feiras, 19h, no ICS/UnB, andar térreo. Em caso de dúvidas, pergunte pela sala na recepção do instituto.