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Reafirmação do posicionamento calunduzeiro face à tragédia política do presente

O Brasil vem sendo palco de acontecimentos políticos trágicos durante essa pandemia de COVID-19, que, a bem da verdade, não destoam de um triste histórico de malfazejos e maldades de seu governo federal (e de vários governos estaduais), que os protagoniza e nos causa profunda indignação. Dentre todos os acontecimentos, podemos listar, sem buscar ser exaustivas/os, brigas surreais entre o presidente e seus ministros (aqui grafados com iniciais minúsculas, pois não estão à altura de seus cargos), negação de informações testadas, validadas pela ciência e mundialmente reiteradas, protestos contra a democracia – que não é perfeita e abarca numerosas exclusões, mas é o modelo de governo que a sociedade brasileira, à custa de muita luta e sangue, conseguiu implantar –, etc.

Mais recentemente, destacam-se dentre os tristes acontecimentos políticos, particularmente no que tange à luta antirracista e contra o racismo religioso, as grosseiras ofensas proferidas pelo senhor presidente da Fundação Cultural Palmares – a quem nos recusamos nominar – contra o Movimento Negro e a religiosidade afro-brasileira, representada pela nossa querida Mãe Baiana.

Em face desse contexto, o Calundu – Grupo de Estudos sobre Religiões Afro-Brasileiras, vem a público reiterar seu posicionamento contra toda forma de violência e desrespeito a Direitos Humanos. Particularmente, contra todas as violências perpetradas pelo governo federal hodierno e pelo Estado brasileiro historicamente.

Notamos que reiterar esse posicionamento não faz deste texto apenas uma nota de repúdio. Embora também o seja, muitas dessas já foram escritas e subscrevemos a muitas. Trata-se, mais adiante, de uma tomada (reiterada) de lado concreta do grupo, coerente com a sua história, e mais uma vez tornada pública.

Os integrantes do Calundu já militam de formas variadas e ativas contra essas violências aqui pautadas e outras, seja por meio da intelectualidade ativista ou mesmo da ocupação inteligente de ruas e outros espaços públicos, quando o momento pede. Neste momento, não obstante, optamos por permanecer reclusos, seguindo as recomendações das organizações de saúde especializadas.

Essa reclusão – que envolve um oportuno e contínuo apoio a negócios contra hegemônicos e movimentos de luta virtual –, que recheamos com reuniões virtuais, com o trabalho em nossa revista acadêmica, etc., é a principal estratégia de luta contra as barbaridades do momento, assim como a manutenção de nossas rezas, junto a nossa ancestralidade sagrada, pela recuperação da humanidade e a regeneração do planeta. Lembramos, em adendo a isso, que é a Mãe Terra que nesse momento comanda a sala e se faz ser ouvida. Saudamos a grande Mãe da Criação. Que ela seja ouvida.

Proteção e saúde a todas e todos.

Ajude o Calundu a ir pra Harvard!

O grupo Calundu recentemente teve um painel aprovado no Primeiro Encontro Continental de Estudos Afro-Latino-Americanos. Trata-se de uma grande reunião de pesquisadoras/es, que será realizada na prestigiada Universidade de Harvard, nos Estados Unidos da América. O evento contou com uma seleção rigorosa de tópicos, trabalhos e pessoas. Certamente por nosso trabalho, pela força de nossa luta e, sempre, com a bênção de Nzazi/Xangô, fomos selecionados.

Nosso painel, intitulado “Desafios contemporâneos para o exercício de fé do Povo de Santo no Brasil” tratará de tradição afrorreligiosa e racismo religioso. No painel a ser apresentado no evento, resgatamos a história de adaptação e recriação de vivências afrorreligiosas por famílias de santo ao desde a chegada das e dos primeiros africanos escravizados a este país, com consequente formação das religiões afro-brasileiras, e, a partir disso, propomos um debate sobre os principais desafios contemporâneos enfrentados pelos terreiros e no Brasil, para que seja garantida a liberdade de crença e todas as garantias subsequentes.

É de fundamental importância, especialmente em eventos de prestígio como este, discutir internacionalmente temas negros, marginalizados no Brasil e ainda mais vulneráveis no atual cenário de perda de direitos e desmonte de políticas sociais. Temas como o nosso vem continuamente perdendo espaço neste país, pelo que a internacionalização do debate se apresenta como uma alternativa importante e necessária para a sequência de nossas lutas por justiça.

Serão 4 pessoas do grupo Calundu que apresentarão os trabalhos no painel do evento.

Precisamos de dinheiro para passagens, transporte, seguro de saúde estadia e alimentação, durante 5 dias de viagem, em um local em que o preço de tudo deve ser multiplicado na razão de 1 dólar para 4 reais. Os custos devem ser pagos por nós mesmas/os e, por isso, estamos pedindo doações por meio de uma vakinha online , doações diretas (conta no site da vakinha) e/ou ajuda para divulgar este pedido de doações e o nosso trabalho.

Fizemos um pequeno vídeo para a divulgação do nosso trabalho, compartilhe!

Ajude o Calundu a ir pra Harvard! Ajude-nos a levar nossa mensagem e nossa luta por justiça ainda mais longe!

 

Makota Valdina presente!

Com muito pesar o grupo Calundu recebeu a notícia da passagem da nossa queridíssima Makota Zimewanga, a Makota Valdina.

Grande liderança afrorreligiosa, grande militante por direitos para o povo negro e para afrorreligiosas/os, a luta e vida de nossa agora ancestral inspirou desde o início o nosso trabalho. Foi ela, junto à mãe Beata de Iemanjá, quem cunhou o termo “racismo religioso”, conceito base de nossos estudos (cf. Flor do Nascimento – ver aqui). Se hoje defendemos nossas dissertações e teses calunduzeiras, muito devemos aos aprendizados que ela nos deixou.

Por todo o seu valor, fica aqui nessa breve e emocionada nota, nossa lembrança dessa grande senhora!

Makota Valdina, em sua tradição angoleira, que N’Zambi a receba em festa! A senhora lutou a boa luta, venceu e deixou seu legado. Tenha uma linda passagem junto a Mam’etu Matamba, que te encaminhará aos braços de te pai Nsumbu. Agradecemos por tudo!